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institucional4 min de leitura22/10/2026

O QUE ESTÁ NO RADAR DOS GRANDES ALOCADORES GLOBAIS

Diversificação, inteligência artificial, moedas e gestão ativa: as principais reflexões que a MAUD trouxe das mesas do Global Investment Experience.

Por MAUD Capital

Algumas das discussões mais relevantes sobre investimentos não acontecem nos grandes palcos, mas em conversas mais reservadas, entre gestores que precisam transformar cenários complexos em decisões de longo prazo.

Foi com esse espírito que a MAUD Capital participou da primeira edição brasileira do Global Investment Experience, organizado pela Markets Group, no Clara Ibiúna Resort. O formato privilegiou mesas redondas e a troca direta entre CIOs e gestores de grandes Family Offices e Private Banks.

Para a MAUD Capital, participar de encontros como esse vai muito além do prestígio institucional.

“É nesses ambientes que testamos nossas premissas. Nenhuma conversa isolada determina uma alocação, mas estar próximo dessas discussões ajuda a fazer perguntas melhores e a identificar riscos sob diferentes perspectivas”, explica Roberto Vidigal, sócio da MAUD.

Mais importante do que o encontro em si são as reflexões que permanecem relevantes para as decisões de portfólio. A pedido de nossos clientes, Roberto Vidigal reuniu algumas das principais discussões dessas mesas e os pontos que seguem no radar da MAUD para a arquitetura de investimentos dos próximos anos.

1. A nova anatomia da diversificação em um mundo fragmentado

O velho modelo de diversificação precisa ser atualizado. Diante de um cenário global fragmentado e de alta concentração nos mercados americanos, a proteção do capital exige um olhar tridimensional.

“Diversificar hoje exige uma análise em camadas”, aponta Roberto Vidigal. “Primeiro, olhamos para os países, com atenção à clareza e à estabilidade das regras institucionais. Depois, descemos para os setores e, por fim, para a dinâmica de cada empresa”.

Ele destaca que as regras de ouro da alocação continuam as mesmas, priorizando proteger o capital antes de buscar retorno e respeitar a liquidez. Contudo, a força gravitacional de certos setores exige hoje um cuidado redobrado. É o que nos leva ao segundo ponto.

2. O perigo de confundir narrativa com investimento na Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial dominou as pautas, mas com um viés muito mais crítico do que a euforia vista no varejo. Os alocadores estão olhando para a cadeia física que sustenta a IA, englobando a mineração de materiais críticos, a fabricação de semicondutores, a geração de energia e os data centers.

A provocação nas mesas foi clara. A IA concentra ou distribui o poder econômico?

“O grande risco hoje é o investidor confundir uma boa narrativa com um bom investimento”, alerta Vidigal. “Muitos correm para concentrar a carteira nos beneficiários mais evidentes da IA, esquecendo que os preços desses ativos já incorporam expectativas de retorno elevadíssimas. Para o alocador, o entusiasmo com a tecnologia precisa ser acompanhado de perguntas duras sobre vantagem competitiva, necessidade de capital e, principalmente, o que acontece com as margens se a tecnologia se tornar amplamente disponível e pouco diferenciada”.

3. O “fim do dólar” e a exposição cambial

O mundo está saindo silenciosamente do dólar? A resposta nas mesas do encontro foi pragmática.

Não se trata de apostar no fim da predominância da moeda americana, mas de reconhecer que o endividamento global e as tensões geopolíticas estão testando os alicerces do sistema monetário.

“Nesse contexto, o ouro e os ativos reais ganharam muito espaço no debate sobre proteção patrimonial, principalmente pelo risco de desvalorização das moedas e de contraparte”, resume o sócio da MAUD.

Para o investidor brasileiro, isso se traduz em ação. A exposição cambial deixou de ser uma ferramenta acessória para se tornar uma decisão central de portfólio. As perguntas que fazemos na MAUD desde o primeiro dia são claras. Em quais moedas estão os ativos? Que proteção existe de fato? Quanto essa proteção custa?

4. Ainda vale a pena buscar alpha no Brasil?

Com a Selic nas alturas e os títulos isentos de Imposto de Renda drenando a liquidez, a régua para tomar risco no mercado doméstico subiu consideravelmente. Além disso, a tecnologia democratizou ferramentas de análise, reduzindo a vantagem informativa que muitos gestores locais possuíam no passado.

Então, como justificar o risco de buscar retornos acima do índice no Brasil?

“A resposta depende de onde estão as ineficiências do mercado”, diz Vidigal. “As distorções macroeconômicas brasileiras continuam criando assimetrias e oportunidades para a gestão ativa. No entanto, a maior facilidade de investir no exterior ampliou o cardápio. Hoje, a alocação no Brasil precisa ter um papel muito claro e justificado na carteira, pesando retorno esperado, risco, liquidez e custos”.

Na visão da MAUD, alocações locais e globais não competem entre si, elas são complementares. A diversificação global traz resiliência, desde que as concentrações nos mercados locais também sejam minuciosamente auditadas.

Método antes de movimento

A principal conclusão de três dias imersos com a elite do Wealth Management não é uma dica de ativo para a próxima semana. É a confirmação de que, em cenários complexos, a disciplina de processo é a maior vantagem competitiva que uma família pode ter.

“Gestão patrimonial exige informação, relacionamento e disciplina”, destaca Vidigal. “Estar nessas mesas é uma das formas de manter esses três elementos vivos, traduzindo o sentimento real do mercado em decisões arquitetadas para proteger e multiplicar o legado dos nossos clientes”, conclui.

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